ESPAÇO DE APOIO A INFORTUNADOS, MISERÁVEIS E DESGRAÇADOS EM GERAL
Domingo, 29 de Março de 2009
Crime, disse ela

Com a divulgação do último relatório de segurança interna, concretizou-se em números o sentimento que já era nítido desde o Verão passado, em que os telejornais ocupavam a primeira meia hora da edição com assaltos a bancos e pessoas a serem baleadas na cabeça: Portugal transformou-se no faroeste. Um valor muito citado depois da apresentação do relatório, há uns dias, foi o número total de crimes. Era o mais alto da década e, quem sabe, desde 1143.

 

Esta questão já me havia causado urticária no Verão, por isso decidi perder algum tempo a consultar o relatório (outros blogues, como este, fizeram o mesmo). Na página 80 do documento, verifiquei que os crimes que mais contribuíram para o aumento de ocorrências foram a contrafacção de dinheiro, os fogos postos, a burla informática e o lenocínio. Primeiro torcer de nariz face à teoria do faroeste. Só porque há mais chulos, incêndios, notas falsas e correio electrónico fraudulento devemos sentir-nos mais inseguros?

 

Passei à criminalidade violenta - roubos, homicídios e por aí fora. Na página 85 aparece um gráfico com a evolução ao longo de uma década, que inseri em baixo. De facto, houve uma subida no último ano, mas em 2004 e em 2006 houve mais crimes violentos do que no ano passado. Não me lembro de, nesses anos, ter ser noticiada uma "vaga de crimes", como se tornou comum no Verão passado.

 

 

A segurança é sempre uma questão de percepção. Para mim, os tempos de maior criminalidade foram no final do secundário e início da faculdade, nos anos 90, em que dia sim dia não tinha um carocho a tirar-me trocos e os "dreads" faziam razias no Bairro Alto. Se for assaltado amanhã, até pode ser que comece a dizer a frase "Isto anda mal" e a querer votar no Paulo Portas. Para muitas pessoas instaladas no conforto do lar a verem demasiada televisão, admito que meia hora de crimes na abertura de telejornais possa ser algo perturbador. Mesmo que muitas delas nunca tenham sido assaltadas.



publicado por João às 23:45
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