ESPAÇO DE APOIO A INFORTUNADOS, MISERÁVEIS E DESGRAÇADOS EM GERAL
Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008
No country for old men

Isto está bom para os cowboys. Um inspector da PJ descaiu-se e disse o que lhe ia no coração, depois do sequestro no BES: a morte de um assaltante pode ter um efeito dissuasor noutros criminosos. Tribunais, advogados e Estado de Direito são coisas para meninos e a criminalidade combate-se com o dedo no gatilho. O ministro deu um jeitinho e nem sequer abriu um inquérito à actuação policial durante o sequestro, nem que fosse para validar que a operação foi bem conduzida.

 

A deterioração económica cria mais apetência para o crime e o fácil acesso a armas aumenta a violência em torno das ocorrências, mas as forças de autoridade devem reger-se por um código de conduta que as diferencie do outro lado da barricada. A PSP e a GNR profissionalizaram-se e rejuvenesceram os quadros, mas subsistem sinais inquietantes. Há agentes da polícia portuguesa que pagam do seu próprio bolso para ter formação com instrutores do BOPE, a polícia brasileira que é conhecida por matar tantos traficantes de droga como simples moradores que se atravessam no caminho, durante as incursões nas favelas. A cópia de métodos não se fica por acções de formação. No Brasil, duas crianças morreram nas últimas semanas devido a erros da polícia. Anteontem, em Portugal, um GNR apontou para os pneus de uma carrinha em fuga e, por causa dos "solavancos", acabou por despejar um carregador num miúdo de 12 anos.

 

Andamos fascinados com os tiros no BES. Estamos a adorar ir ao cinema ver o "Tropa de Elite" e até temos vontade de aplaudir as cenas do filme em que os agentes entram pelas favelas dentro e desatam aos tiros contra tudo o que mexe. É com relativa indiferença que assistimos à morte de um miúdo de 12 anos - era cigano e a culpa é o pai, que o levou para um assalto. Deve ser nostalgia. Não foi assim há tantos anos que em Portugal se decapitaram criminosos em esquadras da PSP. Nessa altura, ordenavam-se cargas policiais contra piquetes de greve e manifestações de estudantes. No Brasil, sempre um passo mais à frente, havia os Esquadrões da Morte, milícias de agentes que largavam o uniforme e executavam crianças de bairros violentos. Nesse tempo, eram as cenas mais violentas do "Rocky" e do "Rambo" que eram aplaudidas, no cinema. Que saudades.



publicado por João às 02:24
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